Roteiro acima do alvo — a narração ficará mais longa que o configurado. Considere regerar o roteiro.
Cena 1: O Retorno do Pesadelo
Em 2007, um homem de 52 anos caminhava pelas ruas de Mogi das Cruzes, interior de São Paulo. Aparência comum, cabelos grisalhos, postura tranquila. Aos olhos dos passantes, apenas mais um cidadão aproveitando a liberdade. Mas poucos sabiam a verdade aterrorizante por trás daquela figura: Pedro Rodrigues Filho havia acabado de ser libertado da prisão. E durante seus 34 anos no sistema carcerário, ele confessou ter tirado a vida de 71 pessoas. Setenta e uma. Um número que transformaria para sempre a história do crime no Brasil. Como é possível que alguém com esse histórico tenha voltado às ruas? E mais importante: o que levou um homem a se tornar o que muitos consideram o maior serial killer da história brasileira?
Nota: Tom misterioso e tenso, pausas dramáticas nos números
Cena 2: Origens do Mal
Para entender Pedrinho Matador, precisamos voltar ao início. Nascido em 1954, na pequena cidade de Serra de Azul, interior de Minas Gerais, Pedro Rodrigues Filho cresceu em meio à violência rural que marcava o Brasil dos anos 60. Seu pai, um homem conhecido pela brutalidade, trabalhava como caseiro em fazendas da região. A mãe, submissa e silenciosa, carregava as marcas físicas e emocionais dos constantes espancamentos. A infância de Pedro foi marcada por uma agressividade que já se manifestava de forma preocupante. Aos 8 anos, empurrou um colega de escola contra um poço, quase causando sua morte. Aos 10, quebrou o nariz de um primo com uma régua. Pequenos sinais de uma mente que estava se moldando de forma perturbadora. Mas seria um evento específico que despertaria o monstro que habitava dentro dele.
Nota: Construção gradual da tensão, enfatizar a progressão da violência
Cena 3: A Primeira Morte
1969. Pedro tinha apenas 14 anos quando cometeu seu primeiro assassinato. O alvo foi o vice-prefeito de sua cidade natal, um homem que havia demitido seu pai do emprego de caseiro. A motivação, segundo suas próprias palavras, era simples: vingança familiar. Usando uma espingarda calibre 12, Pedro esperou o político passar pela estrada rural e atirou pelas costas. A frieza com que executou o crime e a ausência total de remorso chocaram até mesmo os investigadores mais experientes. Mas isso era apenas o começo. Após o primeiro assassinato, algo se rompeu definitivamente na mente de Pedro. A barreira moral que separa cidadãos comuns de assassinos havia desaparecido para sempre. E a partir daquele momento, matar se tornaria não apenas possível, mas necessário em sua mente distorcida.
Nota: Momento pivotal, aumentar tensão na descrição do primeiro crime
Cena 4: O Código Pessoal do Assassino
Após o primeiro crime, Pedro desenvolveu o que ele próprio chamava de 'código moral'. Em sua mente distorcida, ele não era um criminoso comum - era um justiceiro. Matava apenas aqueles que considerava 'merecedores': estupradores, assassinos, traficantes e corruptos. Essa justificativa psicológica permitia que ele dormisse tranquilo após cada execução. Durante os anos seguintes, Pedro se mudou para São Paulo, onde a violência urbana dos anos 70 oferecia o cenário perfeito para seus crimes. Ele se estabeleceu na periferia, onde rapidamente ganhou reputação como alguém que 'resolvia problemas'. Comerciantes pagavam para que ele eliminasse competidores desleais. Famílias contratavam seus serviços para vingar entes queridos. Pedro havia encontrado sua vocação: a morte. Mas cada assassinato alimentava uma sede cada vez maior de violência.
Nota: Explicar a psicologia distorcida, tom investigativo
Cena 5: A Máquina de Matar
Entre 1969 e 1973, Pedro Rodrigues Filho transformou-se numa verdadeira máquina de matar. Seus métodos eram variados e brutais: tiros, facadas, espancamentos, estrangulamentos. Ele não tinha preferência por armas específicas - utilizava o que estivesse disponível no momento. Uma característica que chamava atenção dos investigadores era a frieza com que executava os crimes. Não havia sinais de descontrole emocional ou fúria cega. Cada morte era calculada, planejada, executada com precisão cirúrgica. Pedro chegou a confessar que sentia prazer no momento da execução, especialmente quando via o medo nos olhos de suas vítimas. Ele havia desenvolvido um ritual próprio: antes de matar, explicava para a vítima por que ela merecia morrer. Em sua mente, isso transformava assassinato em justiça. Mas essa escalada de violência não passaria despercebida pelas autoridades para sempre.
Nota: Detalhar os métodos sem glorificar, manter tom factual e tenso
Cena 6: O Crime que Mudou Tudo
1973. Pedro havia retornado à sua cidade natal quando descobriu algo que mudaria o rumo de sua história. Seu pai havia sido assassinado a machadadas por um funcionário da fazenda onde trabalhava. Para Pedro, isso representava uma afronta pessoal que não poderia ficar impune. Ele localizou o assassino de seu pai e o que aconteceu em seguida chocou até mesmo os moradores locais, já acostumados com a violência rural. Pedro não apenas matou o homem - ele o torturou durante horas, arrancou seu coração ainda palpitante e devorou pedaços do órgão. O canibalismo marcou um novo nível de barbárie em seus crimes. Mas a história não terminaria ali. Poucos dias depois, Pedro descobriu que sua mãe havia sido envenenada pelo próprio pai antes de morrer. A revelação o deixou transtornado e ele tomou uma decisão que definiria seu futuro: desenterrou o corpo do pai e profanou o cadáver, numa demonstração final de sua sede de vingança.
Nota: Momento mais chocante, tratar com cuidado mas sem omitir a gravidade
Cena 7: A Prisão e o Recomeço
Maio de 1973. Pedro Rodrigues Filho foi finalmente capturado pela polícia, após uma investigação que durou meses. Na época da prisão, ele confessou ter matado 47 pessoas - um número que já o colocava entre os maiores serial killers da história brasileira. Mas para Pedro, a prisão não representava o fim de sua carreira criminosa. Pelo contrário, seria apenas uma mudança de cenário. No presídio de Presidente Venceslau, interior de São Paulo, ele encontrou um ambiente que, de certa forma, validava sua violência. Rodeado por criminosos de alta periculosidade, Pedro rapidamente estabeleceu sua posição na hierarquia carcerária. Sua reputação o precedia e outros detentos o respeitavam - e temiam. Mas o que ninguém imaginava era que Pedro continuaria matando dentro da prisão, acrescentando mais 24 nomes à sua lista macabra.
Nota: Transição importante, mostrar que a prisão não o deteve
Cena 8: Justiça Carcerária
Dentro do presídio, Pedro desenvolveu um sistema próprio de justiça. Ele se tornou o executor dos códigos não escritos do crime: matava estupradores, delatores e aqueles que desrespeitavam as regras da cadeia. Para outros presos, Pedro era quase uma figura mítica - o homem que fazia a justiça que o sistema oficial não conseguia fazer. Seus métodos continuavam brutais. Utilizava armas improvisadas: facas artesanais, pedaços de ferro, qualquer objeto que pudesse ser transformado em instrumento de morte. Pedro chegou a confessar que matou um detento usando apenas as próprias mãos, estrangulando-o durante uma discussão no pátio. A administração penitenciária sabia dos crimes, mas Pedro era hábil em eliminar evidências e intimidar possíveis testemunhas. Para ele, a prisão havia se tornado apenas uma versão mais concentrada do mundo exterior, onde sua forma distorcida de justiça podia continuar operando.
Nota: Explicar a dinâmica carcerária, mostrar como ele manteve o padrão
Cena 9: O Número Final
Durante seus 34 anos de prisão, Pedro Rodrigues Filho nunca parou de matar. A cada novo crime, ele mantinha uma contagem mental meticulosa. Para ele, cada morte tinha significado, cada execução era justificada por seu código pessoal de ética. Quando finalmente foi libertado em 2007, Pedro havia confessado 71 assassinatos: 47 cometidos antes da prisão e 24 dentro do sistema carcerário. Setenta e um. Um número que o colocava definitivamente como o maior serial killer da história registrada do Brasil. Mas especialistas em criminologia suspeitam que o número real pode ser ainda maior. Pedro sempre foi seletivo sobre quais crimes confessava, admitindo apenas aqueles que considerava 'justificados'. Quantas outras mortes ele pode ter causado e nunca revelado? Essa é uma pergunta que provavelmente nunca será respondida. O que sabemos é que, aos 52 anos, Pedro foi libertado e voltou às ruas.
Nota: Revelar o número total, criar tensão sobre a libertação
Cena 10: Liberdade Condicional
2007. Após 34 anos preso, Pedro Rodrigues Filho ganhou liberdade condicional. A decisão judicial baseou-se em laudos psiquiátricos que atestavam sua 'ressocialização' e no fato de ele ter completado o tempo máximo de prisão permitido pela lei brasileira na época - 30 anos. Para uma sociedade que acompanhara seus crimes durante décadas, a notícia causou indignação e medo. Como alguém que confessou 71 assassinatos poderia simplesmente voltar às ruas? Pedro saiu da prisão diferente fisicamente - mais velho, cabelos grisalhos, mas mentalmente mantinha a mesma frieza que o caracterizava. Em entrevistas, ele afirmava estar 'curado' da necessidade de matar, mas suas palavras carregavam uma ambiguidade perturbadora. Dizia que só mataria novamente se fosse 'necessário' - deixando em aberto a interpretação do que seria essa necessidade.
Nota: Mostrar a polêmica da libertação, manter tensão sobre suas intenções
Cena 11: A Nova Vida do Serial Killer
Livre, Pedro tentou construir uma nova vida em Mogi das Cruzes. Trabalhou como vendedor ambulante, morou em uma pensão simples, manteve um perfil discreto. Para vizinhos desavisados, era apenas um senhor comum, aposentado, que levava uma vida pacata. Mas Pedro não conseguia escapar completamente de seu passado. Ele concedeu entrevistas para documentários e programas de televisão, onde narrava seus crimes com uma naturalidade perturbadora. Falava sobre as mortes como outros falam sobre o trabalho - com detalhamento técnico e ausência total de emoção. Essa exposição midiática trouxe uma nova forma de reconhecimento. Pedro descobriu que sua notoriedade tinha valor comercial. Começou a vender sua história, a participar de programas sensacionalistas, transformando sua trajetória criminosa em entretenimento. Mas essa nova vida seria interrompida mais uma vez pela violência.
Nota: Mostrar como ele monetizou sua fama, tom crítico sobre a exploração midiática
Cena 12: O Último Crime
2011. Quatro anos após sua libertação, Pedro Rodrigues Filho voltou às manchetes policiais. Durante uma discussão em um bar em Mogi das Cruzes, ele esfaqueou um homem que teria feito comentários desrespeitosos sobre sua família. A vítima, um comerciante local, morreu no hospital duas horas depois. Pedro foi preso novamente, mas dessa vez sua situação judicial era diferente. Como reincidente, ele não teria mais direito aos benefícios da progressão de pena. Aos 57 anos, ele retornou ao sistema penitenciário, onde permanece até hoje. O crime de 2011 confirmou as suspeitas de especialistas: Pedro nunca havia se ressocializado verdadeiramente. A violência continuava sendo sua resposta primária para conflitos. O homem que matou 71 pessoas havia provado que, mesmo em liberdade, continuava sendo um perigo para a sociedade.
Nota: Revelar o crime final, mostrar que não houve mudança real
Cena 13: O Legado de Sangue
Hoje, Pedro Rodrigues Filho permanece preso, aos 69 anos. Sua história se tornou um dos casos mais estudados da criminologia brasileira, levantando questões fundamentais sobre o sistema de justiça criminal. Como alguém pode matar 71 pessoas e ainda assim ser considerado apto para o convívio social? O caso Pedro expôs falhas gritantes no sistema penitenciário brasileiro: a incapacidade de controlar a violência dentro dos presídios, a ineficácia dos laudos psiquiátricos e os limites da legislação penal. Especialistas debatem se Pedro é um psicopata clássico ou produto de um ambiente social violento. Sua infância traumática, marcada pela brutalidade paterna, oferece pistas sobre a formação de sua personalidade assassina. Mas milhões de pessoas crescem em ambientes violentos sem se tornar serial killers. O que torna Pedro único é sua capacidade de racionalizar a violência, transformando impulsos destrutivos em um sistema coerente de justiça pessoal.
Nota: Análise reflexiva, questionar o sistema e as causas
Cena 14: Reflexões sobre um Monstro
A história de Pedro Rodrigues Filho nos força a confrontar verdades desconfortáveis sobre a natureza humana e os limites da justiça. Seus 71 crimes representam mais que estatísticas - são 71 vidas interrompidas, 71 famílias destroçadas, um rastro de dor que se estende por décadas. Pedro se tornou um símbolo da falência do sistema penal brasileiro, mas também um lembrete de que alguns indivíduos podem ser irrecuperáveis. Sua capacidade de racionalizar a violência, de transformar assassinato em justiça, revela uma mente que opera fora dos parâmetros morais aceitos pela sociedade. Enquanto Pedro envelhece atrás das grades, seu legado continua provocando debates sobre punição, ressocialização e proteção social. Será que existem crimes tão graves que tornam a reintegração impossível? A resposta para essa pergunta pode determinar o futuro da justiça criminal no Brasil. E você, depois de conhecer essa história, acredita que pessoas como Pedro Rodrigues Filho podem verdadeiramente mudar?
Nota: Encerramento reflexivo, conectar com questões maiores, CTA sutil
Publicado no YouTube
youtube.com/watch?v=wrViGLFfzOw